Black Sabbath - Black Sabbath
(Lançamento: 13 de
fevereiro de 1970)
Chuva, sino, trovões. O
riff inconfundível de Tony Iommi, assim começa o álbum que marca, para muitos,
o nascimento de um monstro sonoro chamado “heavy metal”. Há 44 anos, quatro
rapazes, não de Liverpool, mas da cinzenta e industrial Birmingham, forjaram as
bases para a edificação de muitos subgêneros da música pesada, pois várias
bandas pagam, de algum modo, tributo ao primeiro álbum do Black Sabbath. E,
como fãs, todos fomos educados pelo álbum da “bruxa”.
A faixa-título abre os
trabalhos de forma soturna, pesada, assustadora. Ozzy Osbourne relata visões
macabras, enquanto Iommi, Geezer Butler e Bill Ward desenvolvem a trilha dos
acontecimentos, “Oh, no, no, please God Help me!”. A parte final da música, que
todos conhecemos, apresenta o grande talento da banda, pois todos os
instrumentos se encaixam perfeitamente e criam um desfecho perfeito para o
filme de terror transformado em música.
Na sequência, ouvimos a
harmônica de Ozzy abrindo “The Wizard” e começando com baixo, bateria e
guitarra demonstrando, mais uma vez, muito entrosamento. As influências de jazz
e do blues, oriundas da experiência anterior intitulada Earth, parecem estar
mais nítidas aqui, principalmente pela levada de Ward e as intervenções de
Iommi.
“Behind The Wall Of
Sleep” é outra faixa em que fica difícil apresentar um destaque individual. Novamente
a coesão da banda está registrada para a eternidade. A bateria precisa de Ward,
o baixo “gorduroso” e seguro de Geezer, o vocal, não tão técnico, mas único e
cheio de feeling de Ozzy e a guitarra fenomenal de Mr.Tony Iommi fazem da faixa
outro momento grandioso para o ouvinte. Ao final, a bateria de Ward e, na
sequência, o baixo de Geezer Butler preparam o terreno para “N.I.B.”, uma das
faixas que mais gosto, desde a primeira audição do álbum. O clima meio
debochado com que o vocal de Ozzy se desenvolve e a apresentação do “Coisa-ruim”
em pessoa entremeado por um trecho lento, denso e melancólico “I’m going to
feel” (2x). O final do lado A nos obriga a buscar a sequência do disco.
“Evil Woman” continua a
obra. Cover de uma banda chamada Crow, confesso que nunca ouvi a versão
original, mas sempre gostei do refrão repetido ao final da música “Evil woman
don’t play your games with me”. Quando das primeiras audições do álbum, na
minha adolescência, pensava na figura sombria da capa.
O dedilhado de Iommi e
o vocal de Ozzy abrem “Sleeping Village” e na sequência ouvimos mais Sabbath
reproduzindo o que parece ser a melhor contribuição do jazz para a música, ou
seja, a improvisação. Músicos entrosados, criativos e cheios de vontade em “atacar”
seus instrumentos.
Para encerrar a versão
original do álbum, temos “Warning”, outro cover, desta vez do Aynsley Dunbar
Retaliation. Após executar a parte com letra, temos uma longa parte
instrumental para deleite dos amantes da boa música independente de rótulos.
Aqui, Iommi, Geezer e Ward são “flagrados” executando o que de melhor o gênero
humano pode fazer em termos criativos. O solo de Iommi por volta de 6 minutos e
20 mostra porque o cara é um exemplo de superação e um mestre eterno das seis
cordas. A banda toda volta para o trecho final com a letra original. O verso “Just
a little bit too strong” encerra o debut álbum de uma das bandas mais cultuadas
da história do heavy metal.
Por tudo o que foi
escrito acima, o álbum “Black Sabbath” é obrigatório na coleção de qualquer
indivíduo que ouse continuar ouvindo música pesada de qualidade em um mundo
cada vez mais hostil a tal experiência. Pegue seu “Black Sabbath”, aperte o
play ou coloque a agulha sobre o sulco e vamos celebrar o 44 anos da obra, o
aniversário de Mr.Tony Iommi (hoje, 19 de fevereiro) e o nascimento do blog
Brigada Hard/Heavy. “Oh no, no,
please God help me!”.
Lineup:
Tony Iommi – Guitarra
Geezer Butler – Baixo
Bill Ward – Bateria
Ozzy Osbourne – Vocal/Harmônica
Tracklist:
1.Black Sabbath
2.The Wizard
3.Behind The Wall Of Sleep
4.N.I.B.
5.Evil Woman
6.Sleeping Village
7.Warning
João Ricardo Vieira
